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quinta-feira, 20 de julho de 2023

Vestibilidade & Conforto


 

Explicando de forma bem simples e leiga, a vestibilidade nada mais é do que um indicador de quão bem uma roupa pode vestir um corpo.

E é  a partir da concepção da peça que devemos pensar nisso. Levando em consideração o corpo que vai vestir esse produto final, escolhemos o melhor tecido, aviamentos e molde para conferir um caimento adequado e boa vestibilidade. Esse negócio de “ah, mas cabe” é pura falácia. Porque pode caber mas não ter sido feito para esse corpo. A não ser que estejamos falando de uma roupa maior que o usuário, insistir em usar uma peça apertada, não vai ser uma experiência muito agradável.

Devemos considerar que o corpo precisa se movimentar sem que a roupa atrapalhe ou limite os movimentos. Tais como levantar os braços, o curvar das costas, o ato de se sentar, etc... E se o tecido plano não possui elasticidade natural suficiente para acompanhar esses movimentos do corpo, entra em cena o elastano na composição dos tecidos ou na construção malha, que já possui alguma elasticidade própria. 

Mas a verdade é que dependendo do caimento desejado para a peça e o tecido escolhido, é necessário adicionar uma folga de vestibilidade para maior conforto ou ajuste. Então JAMAAAAAIS insista numa peça que esteja justa demais no corpo (a não ser que ela possua elastano). Porque,  meu anjo, vai rasgar. E se não rasgar de imediato, vai incomodar. Certeza!

Mesmo que a gente esteja aqui focando em corpos maiores, essa regra serve para a criação de moda para qualquer corpo, viu?! É física básica rs


E vamos combinar que essa moda do desconforto já foi, né?! Alguém ainda tá nessa? Porque pelo que eu sei, tudo que a gente quer hoje em dia é ficar bonita, confiante e CONFORTÁVEL.

Cabe a todos os criadores de moda se reinventarem para ir além da alta costura e pensar em roupas que abranjam uma diversidade maior de corpos.
Moda real para pessoas reais. Pessoas que utilizam transporte público, que trabalham e passam perrengues no dia a dia e mais importante que isso, não vivem no alto da torre de marfim elitista da moda.

E aí, conta pra gente! O que você pensa desse assunto?

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O Culto à Magreza de volta à moda?


A verdade é que infelizmente o culto à magreza nunca saiu de moda. Segue o fio…

Desde que as mídias sociais se estabeleceram, houve espaço para debates e questionamento de comportamento social e identitário. O ambiente da internet nos primórdios das redes sociais era de troca e crescimento coletivo. Até a página dois. 

Porque no momento em que as marcas entram nesses espaços, claramente com o objetivo de lucrar e ampliar suas conexões, elas logo tratam de adequar seu discurso nas plataformas. Afinal, quem não surfa na onda leva caixote. 

Sabendo-se que as plataformas cresceram exponencialmente devido ao engajamento de seus usuários e principalmente pelo financiamento publicitário dos anunciantes, é importante entender que a partir daí, as plataformas fatalmente modificarão suas estratégias para empurrar o discurso de quem enche o cofrinho. $$$ Porque no sistema capitalista, quem detém o  poder, é quem tem o dinheiro.

E assim nasce o culto à magreza! O maior esquema de lucratividade através da insatisfação pessoal. E isso faz a gente pensar em algumas questões.


Por que será que as marcas ainda insistem na produção de uma moda excludente?

Simples. Porque pessoas insatisfeitas com seus corpos consomem mais. Seja para se sentirem pertencentes ou menos excluídas. 

E principalmente porque não existe interesse real de romper com o modelo arcaico de produção que é praticado. Isso daria bastante trabalho, é verdade. 

Pra isso seria necessário qualificar profissionais, sair da bolha da moda que só enxerga o padrão e abandonar essa valorização teatral de marca. Seguir de fato à risca os discursos “inclusivos” praticados por essas marcas de ética questionável que vendem roupas tamanho 42/44 como plus size. Mas é claro que quem “compra valores” não quer ter todo esse trabalho. 

Do ponto de vista estratégico se manter no status quo é mais fácil para as marcas. Afinal, não se mexe em time que está ganhando não é mesmo? Mas se tem alguém ganhando, é porque tem alguém perdendo.

E somos nós. Corpos marginalizados e fora do padrão estético aceitável socialmente. Essa estratégia de retornar ao modelo de magreza trata nossas necessidades como consumidoras como um mero fetiche ou uma tendência passageira. E isso é cruel pra caramba!

Os corpos gordos sempre existiram. Assim como corpos com deficiência. Mesmo que a moda ignore nossas necessidades de consumo perpetuamente, a verdade é que nossa existência não deveria ser tratada como tendência.

Sorte minha ter comprado da última coleção porque a partir de agora meu corpo não tem mais o direito de se vestir?

Porque ainda estamos à mercê da narrativa desses interesses corporativos? 

Será que podemos depositar nossas esperanças em marcas que sejam mais justas com suas consumidoras e que desenvolvam roupas pensadas para esses corpos que são constantemente invisibilizados?

Nós acreditamos que para atender DE VERDADE nossos corpos é necessário entender e acomodar a existência de pessoas fora do padrão como uma realidade tangível e mensurável.  Nós precisamos de uma revolução na indústria da moda. No modo de pensar e de produzir.


E é isso que nós estamos tentando construir. Nossos valores são mais importantes do que nosso lucro. Sim, somos uma empresa. Sim, vivemos nesse sistema excludente. Mas não acreditamos em colocar lucratividade na frente da ética. Por isso, estamos criando uma marca que escuta e age nas dores de nossas consumidoras. Dores essas que são nossas também.

Queremos ser uma marca que constrói identi­dade de vestir com o seu próprio corpo. Que constrói beleza em sua natureza sem querer transformá-la para se adequar aos interesses do capital.

Não temos intenção de fazer fat washing aqui. Nossa proposta é verdadeira. Estamos cansadas do narcisismo da Anna Wintour (Se você não pegou a referência, a gente ajuda. Lembra da Miranda Priestly de “O Diabo veste Prada”? Então. É inspirada nela.) e do discurso de beleza de gigantes como a Vogue. 

Vamos construir juntas, peças que nos valorizem e que revelem nossa real identidade roubada por essa indústria da insatisfação.

Contem com a gente!

Sinceramente, Equipe Catwalk Plus

quarta-feira, 8 de março de 2023

A Gordofobia, o Dia Internacional da Mulher e o Feminismo

 



Mesmo que às vezes não pareça, as pautas feministas não estão desasociadas da luta antigordofobia. Na verdade elas fazem parte da agenda do sistema opressivo em que estamos todas inseridas.

Quanto mais pautas nossos corpos representam, maiores as nossas chances de violência física e psicológica.

A verdade é que o corpo feminino está sempre sobre monitoramento. No modelo capital-colonizador ele possui um propósito definido. E seu propósito se divide em duas categorias: mãe e objeto de prazer.

Ser mulher é sofrer a dicotomia desses espaços e do controle exercido sobre o nosso corpo, autonomia, liberdade e dignidade. Portanto, corpos que não se enquadram nas categorias impostas pelo sistemas, são automaticamente apagados, massacrados e excluídos. 

Os corpos gordos não atendem ao propósito de objetificação e regojizo masculino, portanto são corpos que não representam interesse para o capital. Sendo assim, vistos como um "erro".

Por isso são corpos perseguidos e patologizados independente da saúde real de cada indivíduo. O discurso de "busca da saúde" através do emagrecimento é uma fábula que engana somente quem deseja ser enganado. 

Portanto nunca foi sobre saúde. É sobre controle. É sobre poder. E para as mulheres gordas, sobre pertencer. Que é uma das maiores necessidades do ser humano. E o capital parece fazer questão de tirar isso de nós, mulheres.

Ser mulher muitas vezes se resume a ser bela aos olhos dos outros.  E você já contabilizou aí quanto tempo, energia e dinheiro nós gastamos para manter nossos corpos mais aceitos? Pois é.

São diveeeersas as indústrias que lucram através da nossa insatisfação pessoal. Temos nessa lista as indústrias farmacêutica, alimentícia, da moda e as participações mais que especiais dos médicos indicadores de bariátrica como balinha tic tac e os nutricionistas que adoram prescrever dietas restritivas sem exames bioquímicos. 

E se engana quem pensa que não existe relação entre as duas coisas. Os corpos gordos e fora do padrão femininos são monitorados e excluídos como estratégia biopolítica. O objetivo? Máximo lucro. A matemática é simples. Quanto mais insatisfeita você estiver, mais você gasta tentando se encaixar. 

Mas esse pertencimento temporário é uma cortina de fumaça. 

Porque corpos fora do padrão são apagados, lembra? Esquecidos. E quando lembrados, excluídos. Seja no momento de consumir moda e se vestir, se relacionar com pessoas ou ocupar espaços públicos.

Saúde para corpos maiores? Também não tem. Uma dor de garganta vira uma indicação de bariátrica. Porque o médico diagnostica o que ele consegue enxergar. Ele vê uma patologia ambulante. Portanto, não observa o sintoma, porque está decidido sobre a "causa". Tem idéia da crueldade?

Agora se pergunta aí, quantas mulheres gordas você conhece em cargos de liderança. Poucas ou nenhuma certo? Além do preconceito inerente ao corpo gordo, ainda existe a questão do mobiliário de escritório que não é pensado para pessoas maiores. TODO o acesso é negado a nós. Todo!

E nós não só como marca plus size, mas como mulheres gordas, sabemos o que é sentir essa violência. E estamos dispostas a tentar nos ajudar criando uma comunidade onde possamos compartilhar nossas dores, e nos acolher também.

Nós estamos tentando construir algo diferente. Completamente fora dos padrões. E é uma batalha diária. Mas contamos com a ajuda de vocês para poder produzir mais e mais peças que sejam pensadas e produzidas pros nossos corpos. 

Porque nós acreditamos que parte do pertencimento é construir sua identidade através do estilo e ser bela para si mesma. E aí, estão com a gente? 


Beijocas, nos vemos em breve!

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